Vergonha!

Hoje eu me vi através de um senhor que ficou me olhando...

Começando do início: Queria levar a Flor pra brincar no shopping e queria aproveitar pra comprar um presentinho pra ela e pro Adônis, mas parecia que tudo dava sinais para eu não ir, mas não os percebi, ou melhor, até comecei a perceber, mas fui teimosa. O conserto do PC demorou muito mais do que imaginávamos. Saímos de casa super tarde. No caminho, penso que seria melhor ir no Prezunic Center que fica pertinho de casa e tem várias lojas, inclusive onde poderia comprar brinquedos e ainda tem um parque super legal pra crianças, mas aí descarto a idéia e seguimos para o shopping. Ao tentar entrar no shopping, o estacionamento está lotado. Aí o marido dá mais uma volta e o estacionamento está liberado, mas quando começamos a entrar bloqueiam de novo a entrada. Aí me lembro do tal Prezunic e falo que é melhor irmos pra lá. Tarde demais. Onde estamos não dá pra ir pra frente ou pra trás. Minutos depois, finalmente entramos no shopping, mas vendo a carinha de cansado do marido, pergunto se ele não quer ficar no carro e descansar um pouco, já que iria fazer show à noite. Ele aceita e ficamos minha mãe e eu com Adônis e Flor.

E aí começa a maratona, a Flor já tinha escolhido o presente, mas vendo tantas opções mudava de idéia a cada segundo. Bobinha eu, né? Achando que uma criança de 4 anos vai entrar em uma loja que tem centenas de brinquedos e vai se definir rapidamente, né? Mas deixa pra lá... Voltando a história pra chegar no ponto da primeira frase, loja mega lotada, Flor super indecisa, eu com enxaqueca, saio e levo a Flor pro parquinho que foi o motivo principal de irmos no shopping. Deixo ela brincando e quando ela sai, íamos comprar um tênis pra ela e uma sandália pro Adônis, pois ambos estavam precisando MUITO! A Flor não quer ir e senta no chão. Peço pra ela levantar e ela começa a andar na minha direção de joelhos. Finjo que não vejo e ela começa a engatinhar, puxo minha mãe e peço pra ela não olhar e finalmente a Flor vem correndo atrás da gente. Uma manha, um chororô sem lágrimas de irritar até meus fios de cabelo. Paramos pra comprar o tênis e a sandália. Estou concentrada no Adônis e daqui há pouco vejo minha carteira no chão com dinheiro, cartão e tudo mais espalhado pelo chão porque a Flor começou a mexer. Somado a isso e depois de experimentar um e outro e não fica bom esse e não tem aquele, compro os primeiros que ficam aceitáveis. Já me enchi, a enxaqueca mal me deixa ficar com os olhos abertos. Depois eu volto e troco por algo além de "aceitável".

Esperando o elevador, a Flor abre a caixa de sapato sem eu ver, tira a sandália que estava e começa a colocar um dos pares de tênis. O elevador chega e só falo pra Flor entrar. Um pé calçado e errado e outro descalso. Já estou sem paciência até pra brigar com ela ou tirar o tênis da mão dela. O elevador chega no andar que queria e peço pra ela calçar a sandália. Ela descalsa, cruza os braços e diz que não. E dá-lhe choro dela e agora do Adônis também que a esta altura já estava cansado. Me abaixo, na altura dos olhos da Flor e peço pra ela calçar o chinelo. Ela calça e continua chorando. Começa a colocar a mão na direção da pepeca, sinal de que quer fazer xixi. Pergunto se ela quer ir no banheiro e ela só balança a cabeça dizendo que sim. Corremos pro banheiro e voltamos. Atravessamos o estacionamento e finalmente chegamos no carro. Estou batendo no vidro e tento ver através do insulfilm se o marido está dentro. Nesse meio tempo Flor corre pro caminho dos carros no estacionamento. Me assusto, puxo ela pelo braço correndo e explodo, vem pra cá, caralho! Pronto... perdi a paciência por completo, me sinto horrível por ter gritado com ela desse jeito, me acho uma mãe pronta pra ir pra lata do lixo.

De perto de onde estávamos, está saindo um casal de idosos e o Sr. desde a hora que xinguei começou a olhar pra mim e não tirava os olhos. Parecia abismado com o que tinha presenciado. Só parou de olhar quando fez uma curva. Eis o motivo pelo qual eu me vi nos olhos daquele senhor:

- Eu também sou totalmente contra violência física e também verbal e eu agredi minha filha naquele momento. Feri ela com palavras que doem tanto ou mais do que uma palmada. Eu nem gosto de presenciar alguém maltratando uma criança, seja gritando com ela, batendo ou tratando-a como se não fosse um igual. Minha vontade é ir até a pessoa e dizer poucas e boas pra ela e eu posso estar enganada, mas eu fiquei pensando que aquele senhor poderia estar pensando o mesmo naquela hora. Cheio de vontade de ir até mim e me falar umas boas verdades. Ou estava com medo de que eu fosse partir pra agressão física, vai saber!

Vergonha, vergonha e vergonha!

Que tipo de mãe sou eu que não tenho paciência com os filhos? A Flor fica muito pirracenta em shoppings, principalmente? Sem dúvidas? Eu devia ficar num shopping lotado, quando estou com enxaqueca e enjoada? Não! Paciência é alco que não deve faltar nas mães. Devemos ter estoques e mais estoques desta dose! A questão é que acabei descarregando na Flor algo que ela não tinha culpa e mesmo se tivesse, ela ainda não tem maturidade suficiente pra entender. Eu não xingo o Athaide ou a minha mãe mesmo quando perco a paciência com eles, porque com a Flor é diferente?

A princípio pode parecer que estou sendo dura demais comigo mesmo e explico o porquê. Realmente hoje foi um extremo, mas infelizmente não é tão raro assim eu gritar com a Flor e isso me incomoda horrores! Eu sempre falo que quero ser pra Flor a melhor mãe do mundo, mesmo sabendo que esse meu melhor está longe do padrão de muitas, mas o importante é eu fazer o que acho correto e gritar, pra mim, não é o correto. Não quero criar meus filhos desse jeito. A Flor tem horas que passa dos limites e às vezes estou tão cansada do trabalho, que não quero brigar, não quero corrigir. Fora que passo muito tempo longe dela, então quando chego, não quero ficar brigando o tempo todo, mas isso está indo por um caminho muito perigoso que é o da criança sem limite e o pior de tudo, mal criada! Erro meu, mil vezes meu.

Mas já estou refletindo bastante e também vou conversar sobre isso na terapia e pedir ajuda pra melhorar nisso tb.

Espero que venha contar novidades sobre isso logo logo.

Postado por -Carla às 03:42  

1 comentários:

Mônica Japiassú disse... 14 de outubro de 2009 14:37  

Oi, Carlinha!! Nossa, eu nem sabia que vc estava atualizando o blog! Já está nos meus favoritos, pra te visitar mais vezes! :)

Meu primeiro comentário é que está faltando uma foto (e descrição) do Adônis do lado direito do blog! :)

Quanto ao assunto do post, eu duvido que até a melhor de todas as mães não grite com os filhos em alguns momentos. É natural as crianças se irritarem com facilidade em ambientes cheios e quererem só brincar o tempo todo, ficando birrentas quando não podem fazer o que querem.

Acho que o ponto principal do seu post é o fato de você reconhecer que está errada e se dispor a melhorar, dia após dia.

Sempre que nos dispomos a atingir alguma meta, há alguns percalços no caminho, que nos deixam frustradas, mas o mais importante é não desistir!

Então, continue correndo atrás de sua meta, que eu tenho certeza de que vc vai conseguir!!

B-jão!

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